terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Outono da Vida




OUTONO DA VIDA



As folhas amarelecidas caem no banco, varridas pelo vento…

Alheia a tudo, não as vês, isolaste num mundo de esquecimento.

Não contas os dias, as horas, minutos, desistes do tempo.

Observo-te ao longe, entre as folhas outonais,

Caem são pisadas, pela indiferença dos demais.

Ergue-te, sai desse caminho…não te percas.

Precisas de mim ainda que não o peças…

Segura-te a mim, e deixa as lágrimas tombarem,

Molha meu ombro, não te ausentes,

Eu estou aqui, eu estou presente…

Doloroso ver o Outono da vida,

Ceifar de forma tão abrupta,

A vida de uma jovem que nunca teve uma vida absoluta…

Preciso de força, preciso de coragem,

Para te ajudar a passar para a outra margem.

Partirás, um dia partirás…

Sei-o, sinto-o, vejo-o, mas

Em meu coração sempre habitarás.

Meu ser estremece só de pensar

Que a morte implacável,

Te quer vir buscar.

Meu Deus, sê misericordioso,

Dá a esta alma triste, perdida, um fim,

Sem sofrimento, sem angustia, suportavelmente doloroso.

Dá-lhe animo se tiver que ser, para aceitar que Aqui pode terminar,

Mas vai continuar a viver, junto de ti e em meu coração piedoso.

Tu, meu Deus, ser de perdão, desculpa-lhe alguma falha,

Não atormentes muito o seu e meu coração.

Traz-lhe um anjo que a conduza, para o Mundo da paz,

                                     Onde acaba toda a luta.                                        

16/09/10

Alcina Moreira










Alcina Moreira – Setembro 2010-09-16


Onde Estás?




Onde estás?



O tempo passa e a saudade mais pungente…

Meu corpo arde de angustia,

Meu ser está gelado, num frio ardente…

Onde estás?

Já perguntei ao vento…

Nele entorpeci meu pensamento,

Perguntei ao mar,

Só me deu razões para chorar.

Perguntei à natureza,

Magnânime mostrou-me tua beleza.

Onde estás?

Corri a serra, o monte e o vale,

Mas, não encontrei a resposta,

Que cicatrizasse meu mal.

Percorri o lago, o rio e ilha

Sem ti, nesta vida estou perdida.

Faz-me falta o teu sorriso,

Andar de mão dada contigo,

E chamar-te, meu amor,

Meu amante, meu amigo…

Olho para aquele caminho.

Choro porque te sinto,

Tão triste como eu,

Amargurado e sozinho…




25 de Maio de 2010



Alcina Moreira








sábado, 7 de janeiro de 2012

Apaixonada pelo amor


Apaixonada pelo amor


Fecho os olhos e penso.
Penso naquele dia, de mãos dadas,
Caminhávamos junto ao mar,
A brisa acariciava nossos rostos, silenciosos e calmos.
Não havia palavras, nossos corpos falavam…
Clamavam por carícias, por gemidos, por entrega.
Quis ser tua, foste meu e não precisamos dizer nada…
Quebraria aquele momento mágico…
Tomaste meu corpo, sorveste-o, acariciaste-o,
Beijaste-o como se fosse teu.
E foi, fui tua, nesse momento - fomos um.
Nossos corpos, lânguidos de prazer,
Abrasados de paixão, queriam fundir-se…
Esmagar-se…
Beijamo-nos sôfregos,
Com prazer doloroso chegávamos juntos ao Éden.
Quisera aí ficar e eternizaria esse momento, que foi nosso …
Que é nosso, será nosso, mesmo na nossa despedida.
Eternamente enamorada dum amor assim.





Alcina Moreira

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011


Fecho os olhos…

Teu pensamento preenche-me.

Acaricias, de forma lânguida, meu corpo…

Deixas-me num frémito de prazer…

Sugas, com teus beijos molhados, minha razão e meu ser…

Já não distingo o meu corpo do teu…

O torpor cega meus sentidos…

Tornámo-nos unos…

Numa sintonia lasciva, deixámo-nos levar.

Colados, nossos corpos suados,

Dançam de forma cada vez mais alucinante.

Não parámos, impossível parar!

Ambos tocámos o Éden, exaustos e saciados.

Aí permanecemos, libertos, desnudados,

Entorpecidos pela paixão…

Deitados ficámos, olhando o Infinito…

Numa lassidão terna e selvagem.

Até quando? Até quando?

Talvez hoje, amanhã,

Talvez Sempre…



Alcina Moreira




Vagueio



Vagueio!



Sem rumo, sem destino,

Uma alma angustiada,

Que caminha abandonada,

Perdida em seu pensamento.

Sente a dor do sentimento

De quem já não sente nada.

Olha em frente, seu coração distante,

Busca aquele instante,

Em que soube ser amada,

Em que soube ser amante.

Memória de tempos idos,

Intensamente vividos,

Feitos de amor e esperança.

Que fique em teu coração,

Eterna e doce lembrança,

De nossa ternura e paixão.



Dezembro de 11



Alcina Moreira

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Chuva Bate




A chuva bate, fustiga as janelas,

Seu som é uma triste melodia.

Que arde meu corpo e me deixa fria.

Olho o horizonte com céu cinzento,

Deixo a lágrima tombar,

Rebolando meu sentimento.

Hirta me mantenho ali,

Pensando no que sou,

Recordando o que já vivi…

O tempo passa, permaneço esquecida

Que a vida mesmo com dor é para ser vivida.

Acendo o cigarro de alma inquieta,

Sufoca-me esta vida presente e tão incerta.

A revolta esvai-se, a dor persiste,

Encarar uma vida com futuro tão triste…

Ouço uma voz melódica ao longe,

Implora-me que não busque o que a vida me esconde.

E, assim vou viver, o presente de felicidade ausente,

Esquecer o passado em meu peito abafado.

Ignorar o futuro que parece tão escuro.

Assim, assim, vou viver…



3 de Outubro de 2010



Alcina Moreira