quarta-feira, 5 de junho de 2013

Tempo que passas...

 
 

O tempo, o tempo é inexorável.

Corre veloz, alheio à nossa vontade.

Passa, deixa marcas…

Dá-nos sofrimento e alegria.

Mergulha-nos em conhecimento e sabedoria.

Depois, olha indiferente a nossa nostalgia…

Em perpetuo devir, desconhece a saudade.

Manda-nos viver o momento,

Porque o passado esqueceu-o,

O futuro é desconhecimento…

Permite-nos a inocência da infância.

Concede o sonho, a utopia,

Na certeza de que tudo finda, um dia…

Persegue-nos com determinação.

E, qual polvo, com seus tentáculos,

Toma posse de nosso coração…

Para, sem emoção, nos deixar na hora certa,

Numa misteriosa e enigmática Estação…

Um Além desconhecido,

Desejado e temido,

Por mim, por ti, por todos nós.

 

Alcina Moreira

sábado, 1 de junho de 2013

Entardecer








Sentada, numa duna, deixo que a noite se aproxime.
Olho o horizonte extasiada!
As lágrimas soltam-se perante tanta beleza!
A noite cai, lentamente …
E, lentamente, as lágrimas tombam em meu colo …
Tudo sereno, uma brisa suave, agita meus cabelos.
Permaneço sentada…Sensação de paz…
As cores deste final de dia, não deixam meu Ser imune.
Uma cor nostálgica e outonal.
Comungo, quero unir-me,
Sintonizar meu ser com esta paisagem…
Quero ser esta natureza deslumbrante, que existe,
Que É sem nada lhe ser exigido.
Quero ser esta natureza, bela porque livre…
Quero ser o que sou sem ameias.
Quero SER!

Alcina Moreira




domingo, 5 de maio de 2013

Mulher-Mãe

 
MÃE

Parabéns a todas a mães, presentes e ausentes.

Mãe, agora que estás num reino de PAZ, orienta-me como sempre fizeste. Beijos da tua filha e neto.


Mulher-menina , mulher-criança,
Mulher que chora da sua infância.
Alma que ri em profunda tristeza,
Ser forte, na sua fraqueza.
Mulher do campo, mulher da rua,
Alma que grita, que se comove, com vida dura.
Mulher de sentimento profundo,
Ser que amaldiçoa e salva o mundo.
Mulher mãe, amante e amada,
Mulher que sonha mesmo acordada.
Mulher que vela seu filho, na madrugada.
Mulher sofredora, mulher angustiada.
Mulher sedutora, mulher rejeitada,
Mulher que aceita o tudo e o nada.
Alma que se entrega, se deixa possuir,
Mulher que murmura, sem nada sentir.
Mulher venturosa em vida desventurada,
Ser que odeia a verdade disfarçada,
Mulher do Passado, mulher do Presente,
Mulher que o Futuro pressente.
Estrela brilhante na noite sombria,
Projecção de luz, numa alma vazia,
Bálsamo do triste que chora na via,
Preso ao eco do que sentia.
Mulher solitária,
Caminhas na rua, abandonada.
Abraças o Universo, sem pedir nada.
Ergues-te do chão, determinada.
Mulher, fonte de luz,
Mulher que o mundo e o Homem conduz.
Mulher, muito obrigada!
Por tudo o que és…
Aura de esperança, numa vida apagada.
O mundo te agradece e te ergue sua espada.

Alcina Moreira

terça-feira, 9 de abril de 2013

Sentada numa duna


Sentada numa duna,
Num silêncio sepulcral
Ouço as ondas do mar
Numa angústia abissal.

Fecho os olhos,
Já não penso.
Deixo escorrer o sentimento,
Numa tempestade de desalento.

Meu ser só sente,
A fúria da natureza
Que em esplendor e beleza
Minha amargura pressente.

Levanto-me e grito ao vento,
Que tua ausência é tormento.
Ele diz-me num eco surdo,
Que minha dor é um absurdo.

Ergo-me inconformada.
Abraço um todo vazio,
Sinto dor e tenho frio
Prossigo minha eterna caminhada.

Levo no pensamento
Aquele eterno momento,
Duma história já passada,
Em que amei e fui amada.

Adeus, meu amor!
Lembra apenas o instante,
Em que fui a tua amante,
E me entreguei com fervor.

Que se faça eternidade
Nossa paixão ardente,
Tornando mais real e pungente,
Esta doce e dolorosa saudade.



segunda-feira, 8 de abril de 2013

Um grito surdo nas trevas


Um Grito Surdo Nas Trevas 


Um grito surdo nas trevas
Um clarão rompe a escuridão
Vislumbro teu vulto.
A chuva fustiga-me
Procuro-te na tempestade.
Sinto-te fugir,
Foges de mim, sem vontade.
Que tormento te assola?
Que veneno sorvem teus lábios?
Que sofrimento te mata?
Que angustia te atormenta?
Sai da sombra!
Vem até mim.
Pega minha mão,
Partilha tua dor!
Eu te dou o meu amor…
Sai dessa tempestade,
Que te condena a um mundo feito de treva
Vem até mim, minha esperança, é luz.
Que ao teu caminho te conduz…
Não te prendas, solta teu desespero
Grita, grita sem medo
Livra-te de todo o pavor.
Toma lá o meu amor…


Alcina Moreira


sexta-feira, 23 de novembro de 2012



Não, estou sem inspiração...
Já perdi o sentimento.
Entreguei o coração.
Resta-me o pensamento...

Alcina


domingo, 14 de outubro de 2012

Paixão



Fecho os olhos…
Teu pensamento preenche-me.
Acaricias, de forma lânguida, meu corpo…
Deixas-me num frémito de prazer…
Sugas, com teus beijos molhados, minha razão e meu ser…
Já não distingo o meu corpo do teu…
O torpor cega meus sentidos…
Tornámo-nos unos…
Numa sintonia lasciva, deixámo-nos levar.
Colados, nossos corpos suados,
Dançam de forma cada vez mais alucinante.
Não parámos, impossível parar!
Ambos tocámos o Éden, exaustos e saciados.
Aí permanecemos, libertos, desnudados,
Entorpecidos pela paixão…
Deitados ficámos, olhando o Infinito…
Numa lassidão terna e selvagem.
Até quando? Até quando?
Talvez hoje, amanhã,
Talvez Sempre…

Alcina Moreira